Música

quinta-feira, 27 de junho de 2013

BANDEIRA

“Suponde todos os contentamentos, todas as consolações que as imagens celestiais e a crença viva podem gerar, e achareis que estas não suprem o triste vácuo da soledade do coração. Dai às paixões todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentidos a máxima energia e convertei o mundo em paraíso, mas tirai dele a mulher, e o mundo será um ermo melancólico, os deleites serão apenas o prelúdio do tédio. Muitas vezes, na verdade, ela desce, arrastada por nós, ao charco imundo da extrema depravação moral; muitíssimas mais, porém, nos salva de nós mesmos e, pelo afecto e entusiasmo, nos impele a quanto há de bom e generoso. Quem, ao menos uma vez, não creu na existência dos anjos revelada nos profundos vestígios dessa existência impressos num coração de mulher? E porque não seria ela, na escala da criação um anel da cadeia dos entes, presa, de um lado, à humanidade pela fraqueza e pela morte e, por outro, aos espíritos puros pelo amor e pelo mistério? Porque não seria a mulher o intermédio entre o céu e a terra?”

Alexandre Herculano in Eurico o Presbítero – Introdução













Haja quem cante o poeta e o romance… haja quem diga – de vida a viva voz… haja quem pense que o amor se fadiga e que se encontra este fora de perspectiva e não – obviamente – no meio… entre nós…

Assim sendo - seria louco instrumento… o pensar seriamente – numa humanidade vazia – demente – apenas com coração que fale das coisas correntes – como as ciências e as certezas de toda a gente… e não se encontre esse tal vazio... preenchido... de sonhos garridos, de mágicos destinos e das múltiplas divagações – que são – na sua origem – verdadeiras verdades ignotas – simples notas – da desconhecida cartografia... melodia universal... marcas... tons... sinais… orientações… para os puros e verdadeiros corações… também para outros que ainda não… e que assim – quem sabe – um dia – serão…



Ou seja – quem ama – almeja… perspectivas novas – que fazem deste nosso mundo – velho espelho – algo que merece a pena viver - e assim rever: 

no sentir… no agir... ao se imbuir de verdades vivas que assim o fazem valer... sonhos prenhes... canções solenes... vidas a apreender e de VIDA preencher – tudo o que nos é dado a ouvir – desde dentro sentir… e assim fazer valer… são passos dessa vida: 

essa que nesses ecos se faz garrida... em nós... contida… por nós assim reconhecida – por quem a sonha, por quem a faz assim REVIVER… ecos do oculto – nos sonhos mais profundos – faces que se mostram… espelhos… transparentes… novos… ou velhos… em gotas… caindo… fluindo… sorrindo, chorando… tantas vezes carpindo e depois cantando… arcos de iris… para além o céu rumando… para esse eterno abrigo cantando – ESSE sempre escondido – em ti e em mim se mostrando: AMIGO – sempre… se assim se quiser… sempre… que por ti… eu me der… sejas homem… ou assim te penses... sejas mulher…quando assim o sentes... indo assim – além de ti... e de mim mim -  mais longe do que o “eu”… encontrando qual a “Voz”… fonte ecoando em todos nós… simplesmente por assim ser… assim fazer… ver… e crer…





Chamamos a isto – O PODER – da VIDA que tem de ser... a que nos transforma... e nos renova... baixo a simples e viva prova... de estar aqui .. tu e eu.. sendo aquilo que mais do que o medo pode conter.. sendo amigos daquele que é vivo quando passa além do motivo que o levava a se esconder...

Perspectiva de se ver... desde o sopé se reerguer… cume: 

desse monte... farol vivente que se prende em cada momento que ousaste elevar teu canto entre o tumulto bizarro do dia que se fazia Inverno frio e deste abrigo à semente que te viunascer.. Primavera que se espera entra cada segundo... virando o mundo do avesso transformando-o em novo começo.. para todo o que assim quiser VER... esse facho... gentes vivas em vivos cachos... fonte da vida que se desprende... na luz do ribeiro corrente.. jorrando da eterna fonte ao subirmos esse estranho monte... dormentes no dia... despertos na noite...



e depois mergulhar – entre o ruído da torrente - a que se desfaz em rio potente  -  arrastando a traves que cegam os olhares e levando consigo o estrume eo lixo vazio... deles fazendo adubo que serve de novo substrat... ao antigo pacto... transformando as areias deste deserto: cheias...

Quem... qual o desconhecido... o das cores meias… em cristais biselados... pela luz atravessados… feitos tons e sintonias mil… essa é a Uma e mesma Luz.. essa a Água que nos conduz.. a que se desfaz... audaz... diferente... em cada ser latente... pungente em ti e em mim… 

E – mesmo assim – agua pura que jorra para além da alvura… transparência dando origem a tudo o que a nossa digna ciência... ainda nem sabe, nem ouve... nem pode ver... todo o potencial daquilo que está para ser... eis a matriz... a que se faz em cada passo... ecoando no Grande Abraço... esse que nos envolve... que ecoa e lateja na fronte... que brilha como labareda na noite escura... e desfaz o que nela se esconde... fortaleza no cimo do monte... a que guia entre a sombra... para o lugar onde tudo volta... caminho a encontrar...



É esse, esse algo conciso... artista se mostrando na forma... na obra... no brio... nos ecos da memória... destino... transparentes e diferentes … 

Está em ti – homem que crês… está em tí mulher que assim o vês… está em vós: nessa abraço que parecia atroz... e no germinar da rosa oculta no coração que triunfa... e assim se transforma...

Plena alvura... estrela que a noite escura mais não pode conter... a que se faz em ti e em mim... neste nosso antigo querer... renasce assim como novo ser... 

Eis aquela que se estende desde a nossa fonte... eis o rio corrente... quem inundando e alagando vales... faz dos campos eidos verdejantes... novas colheitas de vida... que pensam... que sentem... projectando e esperando a próxima partida... 

Assim se elevando... árvores de frutos vivos se erguendo... ramos aos céus floridos frutificando... é assim  em ti e em mim... e em todos os que se fazem novos ramos... olhamos os céus sendo nós suas  novas flores... diamantes vivos desabrochando.. 



Onde outrora houve escravos... onde houvera seres bizarros... há novos seres: livres viveres... eis os que esperam:

- sem maior preocupação... sem maior confusão... 

- os que não desesperam...

sorrindo... festejando... crianças no jardim dos tempos... entre as vagas convivendo... 

e - os castelos das areias antigas... que o mar - de novo fez vivas... até serem de novo crianças...

 transformem em sonhos as estruturas baças... as que outrora o tempo apagava... e que a vida - imensa- ilumina e inflama... 

eis oassim a que se transforma … como a gota que se forma do vazio da imensidão… 



caindo... sem medo.... subindo… sendo assim a água de um novo rio - a que se faz mar bravio… e de novo inunda os céus… azul imenso que se faz firmamento… o que entre os tempos... ecoa:



em ti… 
e em mim… 
assim se transforma a divina forma
da verdadeira flor de Lis...

 assim é ... 
se assim se crê... 
se assim o faz valer...
quem o ler...
e quem assim o diz... 


terça-feira, 4 de junho de 2013

... expansion...

sabes quem fala nestas linhas que lês?

sabes quem se esconde para além da morte?

que rima com alegria
- tal como canta com magia -

agúa que corre
viva entre os penedos da vida
sempre nova a brotar?

brisa
- incontida -
- que segreda -
noite e dia
- aquilo que ser algum te poderá revelar?

que dizer dos livros
- palavras... ecos... simbolos
encerrando
o que não é para se poder encerrar


vida viva que as palavras recolhem
espelhos simples
de um algo maior

barcos de poesia
revelando a sintonia
do nosso ser universal

ecos da vida
se refletindo nas cores garridas

arco íris que irás contemplar
são as mil e uma alegrias
- sentidas-

do profundo do teu olhar

vidas
- mais do que vida...
são as que ENCONTRARIAS
rio que flui IMENSO...

em ti ...
em mim

neste VERSO...

e a REVELARIAS

- se estivesses na presença antiga -
daquela de que te estou a falar

essa que paira nos ventos,
que se reinventa em todo o momento

para que a possas ouvir,
sentir,
viver...
e
anunciar


com gestos simples
- risas de outros lugares

com gestos suaves
sons de outrora
nestes NOSSOS cantares

libertação
desde a aparente restição

que és?
de onde véns?
- que tens?

- realmente -

que vieste aqui buscar?

 andas...
ou deixas andar?...

ajudas... motivas... animas?
ou achas que tens de predar?

- dia a dia -
paras tu para A contemplar?


quem olha detras do teu olhar?

quem vê a imagem

que o espelho VIVO te quer anunciar?

qual o mundo que queres ajudar a recriar?

quem lê as linhas
de segredos esguios
quem recria as tintas
da tela dos mistérios vivos?

pequenos pedaços de um grande quadro
dentro do teu ser já vibrar?


dentro do teu mundo
- um mundo novo a pintar -
melodia a ouvir

e fazer surgir
uma terra viva a descobrir

pois é esse o mundo que vais habitar

em cada segundo vivo
que te atreveste a sonhar
e os teus sonhos livres
a viver
e fazer valer

nesta NOSSA vida
que te é dado a VIVENCIAR

(algo que vai além do sonho,
do pensamento,
 do olhar transparente)

nasce na pedra firme
do olhar humilde
de quem te vê de frente

te reconhecendo digno
- diga -
crente
na vida
nesta sua magia
na transcendente sintonia
que se revala em pequenos gestos
ou grandes momentos
nos que vais além do que PENSAVAS SER
ou do que aindatens para VER...

nesse segredo
que fala  noite e dia

e que a mente se atreve apenas
a esboçar...

sábado, 1 de junho de 2013

... recognition...





naquilo que crês…
estás perto

– tão perto que se faz transparente –
 mesmo estando tu dentro…

Que vês quando me vês então?...



Vês duas pernas,
um rosto e um par de mãos?...

que procuras
– talvez –
seja o cheiro da memória
tudo aquilo que ainda não és?...

será o futuro recordado?
esse no que sou pai, amigo, amado?...

será a casa que ainda não se fez?...

serão as opções perdidas
que serão guarida
para no colo um do outro crescer?


Serão os acertos
que nos farão mais perto
ou os enganos
que afastarão nossos fados

até ao mundo da sombra,
do esquecimento
e do frio eterno e gelado…
essa triste memória que se transforma




– se faz inverter e perder –
o que outrora era dia
se faz noite sombria
por tudo aquilo que não se fez…

e o que ficou por dizer,
entregar,
crescer e abraçar…
quanto desse amor ficou por se dar?...

Serão os filhos
– esses que a vida planta por nossas mãos…
dois,
três talvez,
u aquilo que a vida mandar?

Rapaz, rapariga…
patucos rosa, azul.. branco ou sapatilha da adidas
da nike em rosa para meninas...
tudo o que se pode comprar...

como se fossemos montra de loja
no centro comercial de quem cuida…

não te parece esse
conto de fadas contigo de Bárbie
e eu a fazer de Ken?

Quem para os cuidar se não há tempo nem vagar?
Quem para os amparar
– quando nos esgotamos em guerras sem saída-
e assim nos deixamos enganar



É este o espaço e o tempo no que nos vamos encontrar,
é este chão
baixo este firmamento
onde queremos habitar?...

Ou há mais?
Ou seremos nos os tais
– os que vão Vida de entre esta vida despertar -

para aquilo que se esconde além do olhar…
para o que se mostra em cada gesto de paz…
verdade acesa
quando se revela aquilo que é verdadeiramente nosso para dar:

Verdade:
na via da vida e virtude…
valor humano ancestral…
chão nosso, terra firme
verde que alimenta nosso barco a vogar…

Seja este o valor do que é nosso,
seja o que ainda desconheço aquilo que esboço…

seja aquilo que não se pode roubar,
vender,
trocar:

conceder,
vilipendiar
ou delegar

nem em pensamento,
nem na manha,
no medo
ou outra coisa estranha



– é aquilo que nos faz seres livres –

comunhão eterna
entre o que a vida encerra
e aquilo que nos foi dado a manifestar…

 menos do que isso é penar…

circunscrever o dom
que nos faz ser é renegar…

vender o tesouro que vai além do ouro
 é MORRER DEVAGAR:

vens tu para viver
e viver sem vacilar?

Ou és mais um dos que vem para se perder,
para se vender,
vergar e ajoelhar?...

pensa um pouco,
sente cada poro de ti a vibrar

– cada átomo de vida em ti a fervilhar –

cada batida desse coração
sendo um Universo inteiro a ribombar…
VIDA em ti a palpitar…

tu vibrando nessa melodia UNIVERSAL…

quem te vai prender,
quem te vai fazer esmorecer,
quem te vai circunscrever
se és Vida viva que vem para se manifestar

mão em mão convida
tu o digno a te acompanhar…

caminho entre os caminhos
virtude plantada neste lugar…



Somos A VIDA
não há volta a dar…

essa que ecoa
– garrida –
em todo o tempo e em todo o lugar…

Somos o mar
– que se sente -
– em vagas no peito aberto –
a ecoar…

Somos a brisa
– que suspira –
no rosto desperto de quem se deixa pela brisa tocar...

A gaivota perdida
neste estranho e amplo mar…
Com a asa partida
que sara
quando te atreves de novo a Voar…

Somos a criança que se ampara
 no colo
enquanto o mundo parace ruir e passar…

somos o silêncio que se ouve
nesse peito em cada momento
que se deixa o ser humano tocar…

Somos a vida feita perspectiva diversa
 e sintonia
para que possamos dançar…

E somos a brisa nas árvores,
pinheiros no sol por a cantar..-
e somos o sol que desperta
nessa bela aurora de primavera a raiar…

 e somos as gotas que caem
– além das contas e dos momentos -
que mente pode amparar…

 somos esse rio que corre,
somos esse mar que o absorve..

somos a nuvem que passa e somos a água…

e o vento a soprar...
 e somos o fogo que aquece
que transforma o ser noutro novo ser a germinar…

e a pedra que seinto e me faz recordar
– a serena e sólida imagem –
a altiva aragem
– dos reis de além mar –

senhores deste lugar…

somos os rios de vermelho
que se expandem pelo verde da terra a arar…

e somos o azul do firmamento
entre o espaço conzento
quando há nova luz a irradiar…



Somos a brisa
– já to disse?
Que sopra de mansinho a segredar

 – os segredos antigos –
pequenos e garridos

castelos de areia para o ser que anseia
pela sua herança universal…

Que vês quando me vês..
que procuras entrever?

O pai dos teus filhos,
o poder de ser livre,
o abraço que se dá sem se contar?

A mão amiga na que confiar?

A brisa antiga que volta a segredar?

Que és tudo e todos e todo o lugar…



que o medo que te contaram não tem porta por onde entrar
nesse templo sublime
que é a vida que se experime
no teu rosto

irradiando o mundo
no que nos havemos
de amar…

algum dia sem noite
sem alvorada a despontar



Por aqui
– nada disto vi…
entre os tempos
nos que os momentos
se contam em quadrículas desordenadas
celas caras

demasiado pequenas
demasiado estranhas
criações de mentes
que perderam a graça

seres dormentes
para a verdadeira posança

seres indigentes -
vendendo a sua universal herança



celas de dor
incapazas elas de reter e conter
de circunscrever
de fazer esquecer

o seu SER MAIOR

aquilo que clama
que por tua vida reclama
aquilo que palpita no teu interior
luz maior
ser superior
em ti, em toda a volta - e teu redor...

há um caminho a seguir,
a tua vida a descobrir
não te deixas para atrás
por favor...



entre contas e dinheiros
sobra o frio, fica o gêlo...
dessa vida que podia ser

entre os credores
- de vidas e louvores -
haverá quem se erga com VIVA VOZ...

uma entre muitos
a que nos que nos desperte
a nos lembre que
NUNCA estamos sós...

que a morte é o simples divagar
 da vida em consciência

entre os seus reinos
a sair e a entrar

que com ela sonhas
quando dormes - passas suas portas
na alvorada - aurora dourada -
regressas atraves dela - pristina entrada
e a ela voltas a sonhar
em teu eterno desperar



o que num lado é vivo e forte,
no outro é eterno,

esse que olha a morte sem esitação e sem medo
esse que vai além do que parece, esse... que traz a luz de volta quando a noite eterna está à solta
e te conta:
" - vês a tua imagem no espelho?...
vês o mundo sem olhos, sem limites, sem pesadelo?
é assim que vai ser...
vê onde mora...
é em ti que está a nascer..."

E o que te contempla tem a chave...
e quem vê a Sua imagem - sabe...

além do que a voz atroz do algoz te diz sem sentir
há a verdade maior que brota do teu ser interior...
essa que viesta cá para fazer ouvir

por muito que se queira conter
não se pode a luz reter
nunca presa entre vasos e vasilhas
humanas formas plenas de vida

entre as leis e as linhas
mentes disformes procurando dar-lhe brida

entre as pragas concebidas
por reis e tiranos
por gregos e troianos
por mulheres sem dó e homens de pó...

por esses para te esquecer...



Pois quanto maior o apelo
daquilo que tranca o segredo
maior o pulsar da vida a se libertar

quanto mais aperta a tristeza
maior é a beleza  - que vais ouvir, sentir e tocar

quanto maior é a dor - maior o saber que há algo maior...
por isso sentimos - amigos - que algo mexe no íntimo

esperando

nesse céu eterno brilhando
esperança viva em nós contida - que se não faz esperar
qeu te alimenta o querer, o agir e o amar

expressão ínfima em sua essência universal
és ao mesmo tempo
em ti... em mim
 uma percela e o seu ser por igual...

sabes de quem te falo - amigo, amiga, ser amado?



O mor henion i dhu:
Ely siriar, el sila
Ai! Aniron Undomiel

Tiro! el eria e mor
I 'lir en el luitha 'uren.
Ai! Aniron...


*******
From darkness I understand the night
dreams flow, a star shines
Ah! I desire Evenstar

Look! A star rises out of the darkness
The song of the star enchants my heart
Ah! I desire... 



sexta-feira, 31 de maio de 2013

Encounter and...






O Encontro  além da aparência…

Que procuro noutro ser humano… 
que move as mais altas aspirações que posso entrever?

É o seu aspecto, o seu espectro: aquilo que me pretendem vender?...
Os seus dons, a sua vida… 
que procura esta minha perspectiva que – só – não consiga entrever?

Quando perscruto o rosto… 
a mão amiga… 
qual o encontro no ser que se olha?

Que se passa, que esconde a graça 
– das pontes que nos fazem ser um só…



qual a máscara 
– seja ela d’ouro ou prata – 
que seja maior do que a vida, 
a virtude e a devoção feita assim amor?

Que se sente quando a alma sedente encontra o seu espelho e nela planta louvor?

Que verdade esquecida, que memória perdia se procura em fim despertar?...



Qual o passo nesta vida, 
que caminho 
- vereda antiga – 
se procura recordar…

Entre as névoas do destino 
e o humano desatino 
– qual a esperança a renovar?...

Qual o caminho eterno que tu não vês… 
encontra-se já perdido ou espera que de ti o dês?...

A confusão geral parece abafar o eco ancestral 
que nos deposita neste tempo… 
neste lugar…

Qual a força que nos fixa 
se somos livres afinal?



 Que medo compele no momento, 
o Ser que é eterno e que em si gera o tempo 
a estar preso num segundo artificial?

Qual o sentido de aqui estar 
– qual a porta para te evocar…

Qual o lugar a onde devo voltar 
– e se não existisse - 
porquê o posso recordar?…

Porquê em teus olhos 
– meu espelho – 
o posso encontrar…
e vivenciar?...

Estaremos assim tão baços 
que se já não veja o sentido estranho 
neste caminho bizarro 
-  caminho antigo e sagrado – 
guardado para nos libertar?…

Baixamos tão cedo os braços, 
desistimos dos nossos anseios mais altos 
– por nos vender nas migalhas 
continuamente deixadas para nos ludibriar?...



Uma mesma vida… 
um mesmo olhar… 
dois olhos que contemplam o mesmo amar… 
reflexos e ecos de Ser Universal… 

melodia contida entre as paredes do Corpo Original… 

melodias festivas 
luzes do dia 
entre as janelas coloridas 
a fazer o templo vivo animar… 

cores garridas, 
reflectidas no Eterno Vitral… 


onde se encontra a voz que me lê afinal?...

Onde o olhar que olha o que vejo ao te contemplar?...



Entendes a onde quero chegar?...

Há sentido nesta vida, 
há lugar a onde regressar… 
há começo e partida… 
caminho… 
vereda antiga… 
há passos e ecos de passos a andar… 

há paragens novas a desvendar, 
escolhas entre caminhos e memórias a evocar… 

há sangues que se cruzam entre os sangues deste lugar… 

memórias que geram histórias 
que tu e eu vimos p’ra contar… 

e há recantos ainda por explorar 

– novos encantos – 
- eternos e estranhos – 
para desvendar…

Há luzes ainda a acender 
– sejam as estrelas caídas - 
perdidas entre rochas antigas, 

sejam os nichos nos que descansam as raças esquecidas… 
sejam as heranças desconhecidas 
que ser algum nos pode roubar…



Entendes já – onde tu e eu devemos chegar?...

Porquê a força primordial, 
porquê a raça ancestral, 
porquê o teu ser e o meu a vibrar?...



 dois corações, 
as mesmas recordações… 

um mesmo andar 
eco vivente a palpitar…



Ou já esqueceste 
que o que sentes 
é o mesmo que se estende em derredor?

Que o suspiro da brisa 
em teu rosto ecoa
 entre este espaço angosto a memória voa

e no teu gesto desmedido, 
no teu grito antigo 
-  se espalha por todo o mundo de uma só vez?

Que o que vês..
 te toca…



o que imaginas 
– brota – 
em tua vida e de tudo o que és…

algo aninhou entre estas  flores garridas e 
– como erva daninha – 
devorou a luz do nosso olhar…



E – todo o “algo” entra bem dentro do teu pensamento e faz ninho em ti para germinar…

entendes de que te estou a falar?...

Que cada vez que me lês… 
em cada vez que me vês… 
eu em ti estou, 
em ti existe o meu ser a vibrar 

– porque tu assim fizeste e foste tu a me deixar entrar?...

Consegues o segredo guardar?

Consegues as tuas portas preservar?

 A Vida que se espera garrida 
– manter a todo o custo e em todo o lugar?

o mar que lembras, o sal a que sabes…

o eco dessas vagas não mãos com que me afagas

 são como as asas das aves que pairam… 

sobre o imenso sem tempo, 
sobre o abraçar o eterno para além do momento…

Gaivotas sobre este nosso ar… 
nesse TEU lar – que sentes e vês…

e por isso por mim te deixas tocar…

começas a entender de onde vem este teu outro olhar?

Estás disposta a reacender a luz do teu ser ancestral?... 
a deixar o jugo que pretendias usar 

– para encadear teus filhos a este mesmo lugar, 

para dar mais nomes às listas dos perdidos 
entre aqueles que se poderiam salvar… 

simplesmente por despertar… 

e viver a recordar 
– a sua verdadeira essência, a sua verdadeira cadência – 
o seu verdadeiro ser UNIVERSAL?...

Estás tu disposta a percorrer os caminhos de outros tempos, 
os que transformam os momentos 
e enveredar pelo que leva de volta ao nosso ponto inicial?

Revelarás assim aquilo que és, 
reflectido naquilo que crês
– sem te deixares levar, 
conspurcar, 
prender, 
restringir ou atar?...

Porque 
– assim fazendo: 
conspurcarás, 
prenderás, 
restringirás 
e atarás sem remissão 
aqueles que te foi dado a levar pela mão…

Entendes o que te quero dizer?

És tu quem desperta 
e ao ouvido segreda 
que viemos a este mundo para o mundo iluminar?...

 és tu quem acerta 
a ver mais longe do que alcança o olhar?...

 A que em mim mergulhas 
– sem medo, sem culpas - 
sombras que são folhas deste Outono a passar ,

além do vento que traz lamento neste Inverno do pensamento, 

além da melodia da Primavera sem tempo
trazes para nós a semente de sentimento
 que alimenta e que não mais nos deixa sós?

agarras tu este coração que brota, 
esse sangue vivo que o tempo evoca… 
esse viver contido que espera a tua palavra viva, 

Sol que irradia 
– vindo da tua boca - 
nesse nosso ETERNO VERÃO?

DIRÁS 
- COM TODO O TEU SER O VIVERÁS?

Estou por ti como tu por mim 
– até ao céu cair – 
até à rocha do templo ruir 
– até que a luz em ti e em mim se faça sentir

tocando o ser amado, 
o livre e o escravo 
– os faça também a eles despertar… 

para o novo céu, a nova terra, o novo mar… 
novos guardiães da vida em nós a palpitar…

Algo então diz: 
amigo 
-  estou contigo -  
em todo o tempo e em todo o lugar…

Repetes tu isto que digo, 
e sentes que tem sentido 
– além do romântico abrigo 
que teceste para vida conceber 

– sem perceber – 

que é a Vida que concebe a tua vida, 
o teu sorriso, 
a tua perspectiva 
e o teu Eterno Ser a irradiar?...

 És tu que vens para me despertar?...

E que vens para a luz quebrada de novo iluminar?

És tu?...

Entendes o que te estou a dizer?

O Penhor de vida, 
sentido e perspectiva 
que implica dar as mãos e vencer?...

Vencer essa treva que vai crescendo 

– por fora e por dentro – 

esta loucura que ameaça perder 

– os dias as horas, o tempo das memórias, 
dos sorrisos livres dos seres sublimes 
dormentes em corpo de homem ou mulher?...

És tu quem veio para confiar 
– que as palavras que aqui ecoam estranhas, 
vêm de algum outro lugar 

e que as melodias antigas 
serão de novo erguidas

entre os postes dos Maios garridos, 
entre os sorrisos despidos 
e os olhares de luz que nos vêem…

 realmente nos vêem 
 - mais do que o corpo,
 a posse ou todo o que é morto – 

vêem a luz do olhar, 
vêem o que há no peito a vibrar 
– vêem a luz na fronte de quem não se esconde - 
e vem para atreva perder e despojar 

– destituir estes tronos de luto 
que são os que 
– em cada segundo – 
comandam este outrora jardim das maçãs…

agora
É tempo de laranjas floridas 
das fortes perspectivas 
das vitudes que se não podem comprar

É tempo de recordar e despertar 
a força dormente da rocha sedente e do bramido do mar…

E tempo de recordar 
– o vento nas asas que rasga a tempestade –

ondas de prata sobre a branca espuma ancestral 

– vaga que varre este lixo, 
vida que transforma o mundo,

espada que se vence na chama 
desmembrando-se por sempre o seu gélido irradiar…

É tempo de evocar
– o rochedo antigo – 
que se ergue altivo – 
entre as vagas do mar… 

e as horas 

– nas que cantávamos… 

e dançávamos 

as melodias de harmonia 
que continham o caos e a sombra 
no abismo sem tempo e lugar…

és tu quem vem para lembrar? 

És tu quem vem para me despertar?

Tens tu a coragem de ser mais do que a margem 
– do um céu e uma terra e um mar – 

serás tu o centro de onde ecoe o tempo 
no novo mundo a fundar?....



terça-feira, 28 de maio de 2013

Dar sin esperar nada a cambio... simplemente dar porque SÍ!


lo que es libre, 
se da libremente 



- más allá del  pensar -
viene de algún otro lugar 


por eso es libre... 
ni tuyo ni mío... 


por eso a todos nos toca 
- pues la vida por dentro evoca...



sábado, 18 de maio de 2013

For Rohan... for YOUR PEOPLE...



Si fuera verdad…
que te quedaste por mi…
que no fuiste a donde todos quieren ir….
No porque “si”…
sino – por mi…

Si despertaste…
del sueño animado que nos dan en todos lados
– para comer, beber, respirar, imaginar y sentir…
Y me viste… lejos – en la sombra – y en mi creíste…

Entonces ya nos hiciste resurgir…
En ti… en mi… nueva vida…
En mi… en ti… esperanza florida…

Si dejaste el poder, lo que te dicen ser…
por creer… en la vida… en la belleza sentida
en la simplicidad que se da y no se quita..
en ti… en mi… … simplemente… así…

Si no te creíste, el cuento triste que se hace casi un chiste
De tantos que van y se tiran y caen… 
en el vacío de los valores

En el frio de sus amores 
ecos perdidos que nadie devuelve con su mirar

El cuento triste de ir a ver el mundo e triunfar…

El engaño de ir-se para no regresar…

Pero tu no… 
tu volviste para no más escapar…
te quedaste – diste la mano

Fuíste sincera… 
te entregaste a tu hermano
diste palabra, vida y verdad… 
simplemente por quedar

Y con justicia, con sólida calma 
– sin malicia - 
Te atreviste a firmar tus pies 
en este sagrado suelo

En este mundo nuevo 
que hay que preservar
y por el que luchar…

Por todo lo que nos hace ser vivos y amar
Valores inmemoriales que vale la pena guardar

Por ti… por mi…
por todos los que llegarán…
para que no caigan en engaños:

Dejar amigos y hermanos
– conocidos o extraños –
para terminar en soledad…

pues sus violines cesan,
cuando el telón se acuesta…
y tu despiertas
– anciano o anciana –
en una casa para tercera edad…



Y toda tu vida,
toda tu energía –
 se consumen…
una cerilla que se esfume
– en el pálido y vacío cristal…

Pero tu no – tu viniste para nos salvar…

Y todas las mentiras
– negras asesinas –
que matan la vida
en cuentos sin perspectiva

– tu las venciste…
simplemente por creer
con todas tus energías:
con tu propia vida

en un abrazo, en una voz amiga, en un ser humano de verdad…
y no un celuloide o un frío androide de esta selva de cristal…

Y me reviviste…
– porque luchaste e en mi creíste
– contra la dama fría te erguiste
por los niños y las niñas…
– por las semillas de esta nuestra humanidad –
como si fueran tus propios hijos y hijas a guardar…

Por los no nacidos, por los que vendrán…

Y por todos los que aquí están…

De lado 
– rezagados – 

en los cubos de basura abandonados
Jardines y sus fríos bancos…
 cartones y negros charcos
De esa su oscura ciudad… 
y de sus casas de tercera edad

Porque esta lepra no se va a ir…
viene para quedar…

para separar los abrazos,
las caricias de ternura e en quién confiamos…
y así entregarnos – sin miedo a fallar…

 Viene para hacernos fríos
Yermos estériles sin valor o piedad…
Máquinas grises de una hueca estructura social

Abejas de una colmena en la que todo está calculado
Todo tiene su espacio reservado
Y nadie es libre para amar, para reír, para creer
y crecer en su simple forma de ser…

Pues todos tienen su lugar
– y de ahí nunca pueden salir… 
o escapar



Por todos los que sufren
– por falta de humanidad –
que es la semilla sencilla
– la que sólo necesita tiempo,

amistad…
entrega…
sincera…
verdad…

Calor humano...

Por ellos caminamos
– tu yo –
- mano en mano –
entre ese terreno llano
lleno de guijarros y despojos humanos

– de otras voces y otros ojos –
yaciendo perdidos…
sin perspectiva
todo una vida – vacía
sin más meta que ser uno más…

Pero tu no
– tu viniste para quedar…
para firmar tus pies en este lugar…
para afirmar lo que es verdaderamente amar…
y de aquí no te vas a marchar…
ni nos vas a dejar…



Porque tu amor es más fuerte…
que el miedo
– triste y oscura muerte –
que se va comiendo todo lo que toca….

Ese vacío que duele
– por ser la vida rota…
esa herida que hierve
y el alma inmola…

Pero tu no
– tu eres más fuerte…
por eso sigues en frente
– cuando el resto se equivoca…

por eso te mantienes
cuando el resto se desboca…

por eso tu sigues cuando el resto se rinde
tu te yergues… cuando el resto se entrega
tu no cedes… cuando el resto se reniega
tu les animas a seguir en frente…

aun cuando te falta aliento
cuando el mundo estremece
eres tú la que prevalece…

Y no te dejaste así engañar
por las historias de locos
que el mundo quieren dominar…
ni por los malos chistes de ogros
que la vida quieren devorar…

ni por sus películas fáciles, 
sus mitos inquietantes
que entre colorines y diamantes
nos quieren comprar… 
y hacernos olvidar:

Que tienes manos para tocar… 
con deleite… 
con belleza
 la belleza que te es dada a concebir…

nutrir… 
cuidar y guardar…

Que tienes rostro
 – para que veas otro rosto con tu mismo mirar…

Que miras todo lo que tu verdad ilumina…
y que el resto sólo son sombras que discurren sin cesar…

Que nuestros brazos
sólo tienen sentido entre otros brazos
por eso es tan bello abrazar:

por no haber quién domine 
ni quién quiera dominar…
ni quién dé nada a nadie
ni quién te lo pueda cobrar…

Quién nos quiere enseñar a odiar
– lo que estamos hechos para abrazar?

Quienes esas voces viperinas
que nos quieren separar?

Cuales són esas sombras 
enseñándonos a desesperar?

Abrazas…
Porque dos corazones se hacen uno sólo…
dos cuerpos que se mezclan 
– un mismo calor síncrono…
una misma esencia… 
sentido y vivência mayor…

Que fácil parece que nos hagan olvidar…
que la vida sigue para que tú y yo nos pudiéramos encontrar…
que millones de seres humanos dieron su vida 
para yo que te pudiera admirar…
que el universo existe 
para que te pueda un día tocar…

tan simple… 
simple-mente 
tan simple…

como el día que guía 
mi camino al andar…

EM CADA VEZ QUE VÊS
ALÉM DO APARENTE
ESTE MUNDO EM MIM
PARA TI PRESENTE
PLANTAS TU ESPERANÇA
ONDE OUTRORA HAVIA NADA
REFLEXOS QUE ECOAM
LUZ, VIDA, VERDADE ANUNCIADA